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SAIBA MAIS SOBRE A HISTÓRIA DE HIGIENÓPOLIS

Já a história do loteamento de Higienópolis, bairro idealizado no fim do século 19, constitui um capítulo à parte. As chácaras deram lugar aos palacetes e, mais tarde, entre as décadas de 1920 e 1930, aos prédios. Parte da elite paulistana que procurava a área desejava instalar-se em "terras mais altas", fugindo das epidemias trazidas pelos imigrantes para o centro de São Paulo. Em 1893, pouco tempo antes do surgimento do bairro, uma epidemia de tuberculose assolava o centro, onde coabitavam ricos e pobres.

De acordo com a historiadora Maria Cecília Naclério, Higienópolis tinha cerca de 60 mil moradores em 1890. Na primeira década do século 20, esse número passou para 240 mil. A historiadora lembra que as zonas sul e leste se encontram em terras mais baixas, sujeitas a inundações e, por isso, mais propensas a condições de higiene indesejadas pela elite. Até mesmo o nome do bairro, que pode ser traduzido por "cidade da Higiene", registra a preocupação.

Na mesma época do loteamento, a recém-criada legislação sanitária proibiu diversos elementos que poderiam contribuir para a propagação das epidemias, como alcovas - quartos sem janelas. Basta visitar o centenário palacete Vila Penteado, em Higienópolis, para enxergar nos traços da arquitetura como viveu parte da elite paulistana no princípio do século. Mas hoje, por seus corredores, circulam alunos e professores de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), um grupo envolvido na preservação da história da cidade e na restauração do prédio.

Os 2 mil metros quadrados do edifício construído em 1902, na Avenida Higienópolis, guardam o único palacete remanescente da arquitetura residencial art nouveau na cidade, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), em fevereiro de 1978. O estilo da obra foi definido sob a inspiração de uma visita à França, em 1900. Escolheu-se o quarteirão formado pela Avenida Higienópolis e Ruas Maranhão, Sabará e Itambé para abrigar a residência de 2 mil metros quadrados.

O estilo art nouveau deixou suas marcas nas formas inspiradas na natureza e na riqueza de detalhes de portas, móveis e afrescos. Entretanto, uma das grandes marcas da casa não existe mais. O jardim e a entrada principal, que faziam limite com a Avenida Higienópolis, não entraram nos termos de doação para a USP e deram lugar a prédios. Por isso, pela Rua Maranhão, o visitante chega ao palacete pela sua entrada dos fundos.

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