Localizado em Higienópolis, um dos melhores bairros residenciais em São Paulo, o projeto do Prudência visava uma clientela de elite, contrariando a tendência dos edifícios modestos destinados à classe média, que predominava na década de 40. Portanto, os apartamentos deveriam oferecer, além de uma boa localização, todas as vantagens de uma habitação moderna.
Resultado: ambientes generosos – os apartamentos têm quase 400 metros quadrados de área útil –, corredores largos, pé-direito com mais de 3 metros e excelência no acabamento e nas instalações – ar condicionado central quente e frio, com controle individual de temperatura em cada um dos 38 apartamentos do condomínio, além de sistema de água quente para cozinhas e banheiros.
À época, tal iniciativa representou um salto no tema de construções de alto padrão. Ainda hoje o prédio chama atenção. Distingue-se da vizinhança vertical exibindo sinuosas passarelas suspensas no meio de um exuberante jardim criado por Burle Marx.
Tem um quê de carioca. E confere: o uso de cor nas fachadas, paredes curvas e as sinuosas passarelas de acesso ao térreo são influências da arquitetura carioca.
A linguagem moderna de Le Corbusier – pilotis, terraço-jardim, planta livre da estrutura, fachada livre da estrutura, janela em fita – começava então a aparecer no desenho dos edifícios.
O Prudência tem no imenso hall paredes forradas por um mosaico de pássaros, pintado a mão por Burle Marx, ganharam status de residências-obras-de-arte.
Tombado pelo patrimônio histórico, essa relíquia urbana tem apartamentos valorizados e, geralmente, encontram-se indisponíveis para locação.