O Edifício Bretagne, localizado na Avenida Higienópolis, região central de São Paulo, foi projetado pelo arquiteto João Artacho Jurado (1907-1983) e lançou um conceito de condomínio na cidade de São Paulo, trazendo o lazer para dentro dos limites do prédio.
O edifício de 18 andares, inaugurado em 1958, foi o primeiro da capital a ter piscina, além do playground, salão de chá, de música etc. O caráter inovador do trabalho do arquiteto, filho de imigrantes espanhóis, no entanto, não foi suficiente para lhe garantir o livre exercício da profissão.
Chegou até mesmo a integrar o roteiro turístico da cidade. Ônibus traziam visitantes e turistas para tomar um drink no bar do prédio, o qual funcionava como o de um hotel.
E, de fato, é com o que mais se assemelha para quem ali chega e dá de cara com o piso de pastilhas azuis, o tapete vermelho berrante no hall, muita vegetação e uma bela piscina ao entorno.
No cinema e televisão, há produções onde aparecem cenas rodadas em prédios do Artacho Jurado: um filme da década de 80, Fogo e Paixão, usou a cobertura do Bretagne para uma cena hilária, onde uma atriz vestida no estilo dos anos 50, olha um disco voador passando pelo prédio.
O glamour dos anos 1950 e a inspiração em Hollywood estão em todos os detalhes do edifício Bretagne. A colagem de desenhos, cores, texturas e matérias faz com que o condomínio destoe dos demais edifícios da avenida Higienópolis. Todos esses elementos produzem uma riqueza visual única na paisagem paulistana.
O que atrai no edifício Bretagne, de Artacho Jurado, é o caráter sui generis de suas combinações. A entrada e todo o térreo lembram um hotel, como numa locação hollywoodiana, assim como o solarium e o jardim da cobertura. Isso destoa dos prédios modernistas do mesmo período em Higienópolis.
Projetado em 1958 por João Artacho Jurado, fundador da Construtora Monções, o Bretagne foi o primeiro condomínio em São Paulo com piscina. Na cobertura, a vida coletiva volta a se repetir, marquises com ar fantasioso e lúdico são rodeadas por jardins bem cuidados. O espaço é destinado a reintegrar o usuário com a cidade, reflexo da paixão de Jurado pelo voyerismo e curiosidade sobre a urbe.
Não por acaso Jurado está na moda: caiu no gosto das pessoas que hoje procuram prédios dos anos 1950-1960 e admiram ornamentos ou detalhes inventivos, como o pilar de pedra ondulado do Bretagne.
Muito criticado na época, hoje ele pode ser visto como uma espécie de precursor do pós-modernismo. João Artacho Jurado não era arquiteto, nem tinha curso superior. Nem sequer chegou a terminar o primário, mas concluiu um curso técnico de desenho e perspectiva, ainda que não exista comprovação do diploma.
Conhecido por suas estratégias de marketing inusitadas, Artacho Jurado reproduziu toda a fantasia do cinema na festa de inauguração do edifício Bretagne. O ator Roy Rogers e a miss Estados Unidos daquele ano foram os convidados de honra da festa, que causou frisson entre os moradores do bairro e saiu nas colunas dos principais jornais da cidade. Dizem que após o lançamento, as 173 unidades do Bretagne foram vendidas em 24 horas.
Por ter sido obrigado a largar os estudos aos 9 anos - o pai não admitia que ele jurasse a bandeira -, Artacho não chegou sequer a concluir o curso primário, conseqüentemente não pôde ingressar no curso superior e foi impedido pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) de ser o autor legal de seus projetos. Por isso, contava com alguns colaboradores que faziam os cálculos técnicos e assinavam seus trabalhos, entre eles o engenheiro Aurélio Marazi.
Foi dessa forma que o arquiteto concluiu outros dois edifícios que se tornaram referência urbana na cidade de São Paulo: o Viadutos e o Cinderela, localizados respectivamente no centro da cidade e em Higienópolis.
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