Saiba
mais sobre a Arquitetura de Higienópolis
É considerada
"um microcosmo" da história
da arquitetura residencial de São
Paulo
O Bairro de Higienópolis
apresenta um importante acervo de
edifícios representativos
da arquitetura residencial paulista
do século XX.
Ao
lado de casas e palacetes burgueses
do início do século,
destacam-se os exemplares de arquitetura
moderna, em razão tanto da
alta qualidade de vários
desses exemplares, como pela grande
quantidade de edifícios em
área relativamente restrita,
diferentemente do que ocorre nas
demais regiões da cidade.
Os imóveis
cobrem um período contínuo
da arquitetura residencial que inicia-se
em 1884 (Império) partindo
dos estilos neoclássicos,
pitorescos, normando, florentino,
etc, típicos do ecletismo;
passam pelo "artnouveau",
pelo neo-colonial e atingem o "art-deco",
cujo exemplar da Vila na Rua Piauí
‚ é bastante expressivo.
Comparemos estes
exemplares, como a Vila Penteado,
um dos melhores projetos do "art-nouveau"
ou os edifícios residenciais
como o Louveira de Artigas e Cascaldi
ou o Lausanne de F. Heep, do período
moderno e as pioneiras obras de
Warchavchik na R. Itápolis
e R. Bahia.
É
um conjunto, representativo da história
do Bairro de Higienópolis
e adjacências, sobretudo por
compor uma resenha da História
da arquitetura residencial brasileira,
mesclando Panelli, Liberal Pinto,
J. Pilon, V. Dubugras, Jo Bananere,
Rino Levi, Warchavchik, Burle Marx,
Artigas, etc., num mesmo ambiente,
além de outros exemplos de
arquitetura moderna em Higienópolis
como Roberto Cerqueira César,
Alberto Botti, Marc Ribin, Franz
Heep, Vitor Reif, Henrqiue Mindlin
e Abraão Sanovicz.
Pois bem, nos anos
50 apareceram os prédios
residenciais, com apartamentos grandes
e área comum de lazer, o
que criaria novo conceito de bem
estar numa metrópole.
Hoje
em dia, o bairro
é um exemplo para as cidades
brasileiras: ruas bem pavimentadas,
calçadas uniformes, fiação
elétrica subterrânea...
Há ainda as arvores frondosas,
que embelezam as vias movimentadas
e os imponentes edifícios
da Fundação Armando
Álvares Penteado; da Universidade
Presbiteriana Mackenzie – um
exemplo do cuidado que se deveria
ter para com o patrimônio
histórico da capital –; e
o Colégio Sion, defronte
a um dos mais polêmicos e
espetaculares conjuntos residências
de São Paulo, o Edifício
Bretagne, do arquiteto João
Artacho Jurado. Suas frondosas
mangueiras à beira da piscina
lembram os quintais de outrora,
e seu jardim suspenso nos leva a
um outro mundo, onde a convivência
com a urbe se torna mais prazerosa.
CHÁCARA
DE VILA MARIA NA AVENIDA HIGIENÓPOLIS
A
antiga sede da Chácara de
Vila Maria (Av.
Higienópolis, nº 18)
tombada pelo Conselho de Defesa
do Patrimônio Histórico,
Arqueológico, Artístico
e Turístico do Estado (Condephaat)
no dia 27 de dezembro de 2006 foi
construído em 1884, com o
nome de Vila Maria; o local é
exemplar de uma cultura vinculada
ao ecletismo, que mescla elementos
da tradição clássica
italiana – sobreposições
de ordens arquitetônicas que
organizam os vários andares,
com a tradição Medieval
Francesa – terminação
da cobertura com planos de telhado
de forte inclinação
e torreão típico dos
castelos da região francesa
de Loire.
O casarão foi erguido pelo
engenheiro Luis Liberal Pinto, mas
não existem documentos sobre
a autoria do projeto. A planta foi,
provavelmente, trazida da Europa
durante a época do Renascentismo
Francês.
Vale ressaltar que, além
da construção e do
jardim , o decreto ainda tomba obras
que foram consideradas partes da
história da casa: o mural
Aurora, de Almeida Junior e a escultura
Diana, de Victor Brecheret.
A edificação pode
ser considerada uma testemunha da
figura pioneira de Veridiana Valéria
de Silva Prado, Dona
Veridiana, como ficou conhecida.
Uma mulher à frente de seu
tempo, contrariou os costumes da
época e se divorciou em 1877.
Um ano depois, Dona Veridiana comprou
o terreno que daria lugar a Vila
Maria, a partir de 1884.
Para alguns historiadores, como
Darrel Levi, a residência
significou uma nova fase da vida
do matriarcado paulistano, já
que a proprietária residiu
com os filhos no local, sem a presença
do marido - como mandava a tradição.
A partir da reforma, Dona Veridiana
passa a ter um papel de destaque
na sociedade paulista e serviu como
exemplo para grande parte das mulheres
paulistanas, que começam
a participar ativamente da vida
social da época.
Outras chácaras começaram
a surgir e hoje formam o bairro
de Higienópolis. Ruas
e edifícios trazem nomes
de mulheres como Dona Veridiana:
Dona Maria
Angélica Aguiar de Barros
, Dona Maria Antonia da Silva
Ramos (Rua Maria Antonia), Antonia
de Queiroz (Rua Dona Antonia de
Queiroz), além da própria
Veridiana Valéria de Silva
Prado (Rua Dona Veridiana). Hoje
o local abriga a sede administrativa
do São Paulo Clube - uma
associação fundada
em 1959, por diversos empresários
da capital.
BANK
BOSTON - HIGIENÓPOLIS
De
dia ou de noite é impossível
passar despercebido por ela. A casa
onde o BankBoston está instalado
desde 2001, na esquina da Avenida
Angélica com Avenida Higienópolis
reluz (Atualmente Itaú Personalité).
A casa foi totalmente reformada
e seus detalhes originais, conservados.
Dentro existe até uma pequena
exposição de fotos
da própria construção
e do bairro. A residência
foi moradia de um famoso médico
otorrinolaringologista e, na ocasião
da locação, era a
clínica do filho dele.
COLÉGIO
SION - HIGIENÓPOLIS
Construído
em estilo eclético nas primeiras
décadas do século
passado, o edifício começa
com o hall central que leva à
Capela provisória, onde hoje
fica a Biblioteca. A ala do edifício
compõe-se de cinco pavimentos
- incluindo subsolo, térreo
e mais três andares. A outra
ala que completa o prédio
atual foi construída em 1940.
Naquela década foi erguido
ainda o edifício destinado
à pré-escola e ao
primário.
CONSULADO
DA ITÁLIA - HIGIENÓPOLIS
Construído
em 1922, o casarão de 2.000
m² onde ficava o Consulado
Geral da Itália, atualmente
em processo de tombamento, faz jus
ao charme das belas construções
do país europeu. Erguido
para servir de moradia à
família de Oscar Rodrigues
Alves, o casarão em estilo
clássico francês tem
um recuo de 20 m em um terreno de
25 m de frente por 83 m de fundo.
DIVISÃO
ANTI-SEQÜESTRO
- HIGIENÓPOLIS
Recentemente
vendida ao grupo que controla o
Shopping Pátio Higienópolis,
a sede da Divisão Anti-Seqüestro
(DAS) da Polícia Civil de
São Paulo, na Avenida Higienópolis,
é uma das construções
antigas mais conservadas do bairro.
O complexo é tombado pelo
Conpresp (órgão municipal
de preservação) e
pelo Condephaat (conselho estadual).
São estes dois órgãos,
aliás, que definem o tipo
de uso do imóvel. Nove edificações,
com características e construções
distintas, totalizam 6.600 m².
A maior delas é o próprio
casarão de 2.463 m²
que abriga a DAS, erguido nos anos
1920, de acordo com o modelo urbanístico
adotado na Europa.
EDIFÍCIO
BRETAGNE - HIGIENÓPOLIS
Ícone
dos anos 1950 e marco cultural de
São Paulo, o Edifício
Bretagne, tem a assinatura da Construtora
Monções, do arquiteto
João Artacho Jurado. Vizinho
do Colégio Rio Branco, na
Avenida Higienópolis, o Bretagne
foi projetado em 1959 e fascina
pelo mix de cores e estilos e infra-estrutura
ousada para a época: bar,
salão de festas, piscina,
salão de jogos, sala de música
e um jardim de cobertura. O edifício
rosa e amarelo com pinta de grande
hotel chegou a integrar o roteiro
turístico da Capital, quando
ônibus traziam os visitantes
ávidos para tomar um drinque
em seu piano-bar. O burburinho era
tanto que sua inauguração
teve presenças ilustres,
como a do ator americano Roy Rogers
e da Miss América da época.
Comprar um apartamento no prédio
assinado por João Artacho
Jurado pode demorar anos - há
fila para comprar os disputados
apartamentos. O Edifício
Bretagne foi apontado pela conceituada
revista Wallpaper, da Inglaterra,
como um dos melhores para se viver
no planeta.
EDIFÍCIO
PARQUE DAS HORTÊNSIAS - HIGIENÓPOLIS
Assim
como o Edifício
Bretagne da Avenida Higienópolis
e o Cinderela,
localizado na esquina da Rua Maranhão
com a Rua Sabará, o Parque
das Hortênsias é
sempre lembrado por ser uma obra
do paulistano João
Artacho Jurado. Imponente, o
prédio histórico,
ícone dos anos 1950, fica
em plena Avenida Angélica
e tem, no seu recuo inicial, um
enorme jardim. Artacho Jurado foi
um homem à frente de seu
tempo. Morto em 1983, completou
apenas o primário. Seu pai,
anarquista, tirou os filhos da escola
em protesto contra a obrigatoriedade
de jurar a bandeira. Ele então
fez um curso de Desenho e Arquitetura
e, com o irmão Aurélio,
fundou duas construtoras: a Anhanguera
e a Monções.
MACKENZIE
- HIGIENÓPOLIS
O
Edifício Mackenzie, embrião
do complexo Instituto Presbiteriano
Mackenzie que conhecemos hoje, foi
destaque no cenário urbano
paulistano do século 19.
Apesar de ser o prédio de
número 1 do campus, o Edifício
Mackenzie é a quinta construção
do local. Sua monumentalidade seguia
o alto padrão dos palacetes
de Higienópolis.
Pouco mudou desde então.
O período compreendido de
construção do edifício
situa-se entre os anos de 1893 e
1895 e sua primeira finalidade foi
abrigar a Escola de Engenharia.
Com o deslocamento dos alunos para
outro prédio, o Edifício
Mackenzie sediou a Reitoria e a
Diretoria do Instituto até
janeiro de 1998, quando virou o
Centro Histórico. Juntamente
com outros prédios do mesmo
Instituto, o Edifício Mackenzie
foi tombado pelo Condephaat, órgão
estadual que cuida do patrimônio
histórico. O processo aberto
em julho de 1985 foi aprovado em
sessão no dia 27 de setembro
de 1993.